segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Maria Ana, e não Mariana.

Assim se chamava a minha primeira professora de educação musical: Maria Ana e não Mariana, como a vetusta senhora insistia em repetir, aula após aula, entre a clave de sol e o mi sustenido. Apesar de tudo, insisti na guitarra, no piano, como autodidacta e, mais recentemente, num delicioso instrumento todo ele repleto de nostalgia. Tomara ter fôlego para, a plenos pulmões, tocar o meu melodion como se não houvesse amanhã.

É assim uma espécie de Zita Seabra.

Como é que é possível que o mesmo realizador tenha feito este e este filme? Ah, ok, não foi ele, foi o irmão gémeo mau.

Jornalismo sério.

Ou, pelo menos, este assumem a orientação editorial: fervorosamente humorística.

Falso alarme.

Afinal o Grande Reitor Freitas não está senil. Não só não está senil, como não está parvo. O que ele quer sabe ele: ser presidente de todos os portugueses. Se as sondagens dessem o Partido Monárquico como vencedor das próximas eleições, era para lá que ele ia.

Holocausto canibal.

É que ontem fui ao estádio ver o Belenenses x Rio Ave e estava tão eufórico com a vitória do meu Belém que enfardei dois natas da Fábrica dos Pastéis de lá. Já houve mais diferenças entre mim e este senhor, já houve já.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2005

Solidariedade encapuçada.

A Alice fez um urso. Ofereceu ajuda a quem o comprasse. Eu comprei-o. Mas não foi pela solidariedade. Foi por isto.

O meu coração só tem uma cor: azul e vermelho.

Apesar da paráfrase aparente roubada a um famosíssimo futebolista do Porto (mais pelos seus dotes verbais do que pelas suas capacidades dentro das quatro linhas), a verdade é mesma essa: no que toca ao desporto-rei, sou metade Belenenses, metade Benfica.

Esta ambiguidade de difícil digestão para a maioria dos adeptos perde a gravidade se considerarmos que o grau do meu fanatismo é semelhante à minha dedicação ao bordado de arraiolos. No entanto, arrisquei um Benfica-Sporting para a taça, acompanhado de uma imperial e um Pastel de Bacalhau. Correu bem, razoavelmente bem, pelo menos até à parte em que, entusiasmado ao ver um jogador dos encarnados a dirigir-se para a baliza contrária, me saiu um sonoro “encesta, encesta!”.

Enfim, tivesse estudado.

Amor estatístico.

O Pedro Mexia foi a melhor coisa que nos aconteceu.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2005

As pupilas dilatadas do Grande Senhor Reitor.

A doença que tolheu o descernimento ao Sr. Freitas do Amaral decidiu que apoiava o Partido Socialista nestas eleições. Este sindroma que ceifou há alguns anos a Zita Seabra voltou agora a fazer das dele. A vira casaquice e a idade não perdoam.

Play it again, Brad.

Como melómano (muitíssimo) amador que sou, tenho uma relação de amor/ódio com a música que consumo e que, tantas vezes, me consome. A primeira coisa que faço quando acordo é, e não poderia ser de outra forma, ligar o rádio – da cozinha, da casa de banho, do escritório, do quarto ou da sala. Sim, fizeram bem as contas, faço juz ao epíteto de “fanático” com um aparelho sonoro em cada divisão da casa. Entro no carro, ligo o rádio. Chego à agência e, mesmo antes de me sentar, já escolhi o tema com que vou começar o dia de trabalho, banda sonora de um instante. E é curioso como a música certa está tão certa e a errada é como uma t-shirt num jantar de gala. Há alturas em que se abate o cansaço, cansaço de guitarras, de baterias, de blips e blops. Abro a pasta de MP3, percorro as letras e detenho-me no “B”, entre os Black Rebel Motorcycle Club e Brian Wilson, ali nas notas que me tocam vindas daqui.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

M/30.

Irreversível não é uma cena de violação num túnel vermelho em Paris, nem um tipo acabar com a cara e vida de outro com um extintor. Para mim irreversível continua a ser o que não se vê e só se ouve em "American History X" de Tony Kaye, quando Edward Norton põe a boca de um tipo no lancil do passeio antes de lhe acarinhar a nuca com a sola da sua DocMarten's.

Uma amigdalite para todos os fumadores, já! (só para ver quem é que tem coragem de chupar uma Drill).

Nada me dá mais vontade de rir do que um fumador dizer que evita tomar medicamentos porque estes fazem mal à saúde. Conheço um, que quando confrontado com a sua incoerência ainda tentou responder “ah, isso é porque eu conheço os malefícios do tabaco e dos medicamentos não”. Como se um cancro no pulmão fosse coisa amiga.

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

A propósito das distâncias.

"Closer", de Mike Nichols, é um assombro. Julia Roberts em velocidade de cruzeiro, Natalie Portman com a força de um tornado (improvável numa criatura com uns olhos de doçura tamanha), Jude Law encolhido, um pobre diabo que quase nos faz esquecer a beleza diabólica com que a mãe natureza o abençoou e Clive Owen, meus amigos, Clive Owen a levantar o dedo do meio como quem diz a todos aqueles que alguma vez duvidaram que nele habitasse um actor maior do que a vida, "fuck off" e até à próxima. É um pontapé no estômago, é puro talento, é a história das nossas vidas.

Prazeres públicos.

O principal problema em andar de transportes públicos é a falta de coerência na distribuição dos lugares. As pessoas mais bonitas nunca se sentam perto de nós. O lugar ao lado do nosso está sempre reservado para um serralheiro mecânico ou uma empregada de limpeza do hospital de Santa Maria. Além do mais, só nos transportes públicos ficamos a saber que existem livros com advérbios no título como “Desesperadamente Giulia”.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

Descanso, por saber que alguém tem mão nisto.

Esta moda de mandar obras de arte para o lixo parece-me, antes de mais, uma libertação. Todas as semanas ouço/vejo/leio sobre supostas obras de lixo feitas por artistas do lixo que vão parar onde devem. Se há, no meio destas histórias todas, alguém sensível à arte e seus propósito, serão os funcionários de limpeza. A todos eles um muito obrigado por nos livrarem da hipocrisia e do lixo que nos vai cercando.

Como dizia um professor de design que tive “…no século XX, se se fizeram 2 obras primas, em todas as áreas artísticas, foi muito”.

E se tivesse de chuva ainda dava mais voltas de avanço.

Mais um Domingo perfeito. Tal como um Schumacher da gastronomia, também eu aos Domingos dito a felicidade cá por casa. Se não, vejamos o que foi o jantar:

- Bacalhau à Gomes de Sá (comprado no Rei do Bacalhau, confeccionado segundo a receita original que, apesar de me levar a tarde toda na cozinha, compensa).

- Vinho tinto novo, caseiro, de Tomar (gentilmente trazido pelo meu sogro que percebe realmente da coisa).

- Pão do Rogério (o meu padeiro diário que tem uma padaria com forno a lenha - até hoje só conheceu o azinho como combustível – ali para os lados da Arruda dos Vinhos).

- Queijo da Soalheira directamente da tia da Susana (tem uma fabriqueta, espécie de laboratório de alquimia, donde saem estes pedaços de perdição que, tal como a região donde vêm, deviam ser património da humanidade – conseguem-se comprar directamente na Soalheira ou no mercado municipal de Vila Franca de Xira aos Sábados).

- Laranjas Baía, que nunca espreitaram um frigorífico sequer, da Alzira (a dona da melhor mercearia de Portugal, em Castanheira do Ribatejo).

- Bolo Mármore da minha mãe (acompanhado com uma aguardente de medronho, caseira, oriunda também da zona de Tomar e trazida igualmente pelo meu prestimoso sogro, daquelas que fazem os mortos revirarem os olhitos e as unhas dos pés).

E mais não digo, com o devido respeito por quem quer aproveitar a depressão de final de Domingo. Tal como o alemão campeão, quase me sinto na obrigação de pedir desculpa por ter um bocadinho de Deus nestes dias.

domingo, 23 de janeiro de 2005

Pois.



Ela: Então, como é que vamos cortar?
(Ela: Posso experimentar umas cenas que aprendi nas aulas no teu cabelo?)
Eu: Não sei, talvez uma coisa diferente.
(Eu: Tás à vontade, nem me importo muito de fazer figura de estúpido...)
Ela: E se fizéssemos uma coisa meio assimétrica, muito fixe?
(Ela: Já vi que és um pató, vou mesmo experimentar uma merda que vi numa revista alemã que até te vais passar.)
Eu: Força.
(Eu: Força.)

Pois.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2005

Bom dia.

E se de repente um estranho lhe diz "bom dia", isso é: a)assédio sexual, b)uma psicopatologia gravíssima, c)campanha política, d)engano. Pois é, uma destas há-de ser, com certeza. Até porque ninguém interpelaria ninguém numa via pública, centro comercial ou repartição de finanças por qualquer outro motivo que não fosse obscuro, velado, bizarro. Pelo menos, é assim que temos vivido a nossa vida - como ermitas urbanos, fechados na nossa rede segura de amigos/contactos/colegas, reclusos de um medo inexplicável do desconhecido. A minha resolução para hoje, para este fim-de-semana, para esta vida, é furar o esquema, cumprimentar um estranho, aceitar um gesto de simpatia inesperado, sorrir quando não é suposto, ladrar quando menos se espera, comer caracóis pelo nariz só porque sim. Alinham?

Enfardamento.

Eu andava a evitar, mas hoje tem que ser. O Sr. Eduardo Prado Coelho é um dos cronistas mais ouvidos e lidos na categoria “Falo, falo, falo e não digo absolutamente nada”.

A sua crónica de hoje no jornal Público é um não texto. Ou seja, Uma data de palavras juntas que, apesar de estarem correctas na disposição técnica, não transmitem ideia nenhuma. Ainda para mais, o senhor fala de uma coisa, a "Sedes", e nunca chega a explicar o que isso é, o que faz ou o que representa.

Para esta crónica ser perfeita, faltou o Sr. Eduardo contar (só mais uma vez) que tem amigos com nomes grandes com quem passava férias em São Martinho do Porto na sua tenra idade.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2005

Previsão do estado do tempo.

Nublado, com períodos de céu limpo.

O sitemeter, esse poço de surpresas.

Ao leitor que veio cá à procura de "miúdas nuas": quando as encontrar, dê notícias.

Num concurso de televisão:

- Quem atacou Pearl Arbor durante a Segunda Guera Mundial, os Alemães, os Chineses ou os Japoneses?

- Não sei. Eu vi o filme, só que já foi há muito tempo.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

Não, não é intolerância. Só curiosidade.

Precisamente no dia em que decido escrever sobre calendários, vem o Joaquim Fidalgo no Público fazê-lo, só para me diminuir. Mas, ainda no chão, pergunto porque é que os calendários são todos os anos um reminder de malta que pinta com os pés e com a boca.

A melhor música do mundo de hoje.

Cantor, compositor, orquestrador, intérprete, génio musical. Ele há Elvis Costello, Mark Hollis, Stephen Merritt, Tom Waits, Nick Cave e ele há Neil Hannon, os próprios Divine Comedy. No álbum mais menosprezados da carreira da banda britânica ("Regenaration", considerado demasiado pop pelos puristas e fãs acérrimos da banda) habita o melhor tema que nasceu da pena de Hannon e a melhor música do mundo de hoje: "Bad Ambassador". A ouvir, sem reservas.

"Esta recomendação tem o selo de qualidade de dois dos três pastelinhos.

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Camisa de forças.

12 dias, 1000 visitas. Isto está tudo louco, só pode.

Faz agora uma data de anos.

Chego sozinho a um aniversário de um amigo. A festa está óptima, comes & bebes de qualidade, pessoas bonitas Ryuichi Sakamoto no ar e os ajuntamentos seleccionados do costume. Com um copo de vinho branco na mão, e ainda antes de qualquer tentativa de integração, ouço o pai do aniversariante dizer, (com dois copos de vinho branco nas mãos): “o 25 de Abril foi a pior coisa que aconteceu a este país”

Ter ouvido isto ou ter visto a mulher* mais bonita da festa, e que mulher** meus amigos, a despir-se por cima do bolo da Versalhes, foi exactamente a mesma coisa. Nada me podia arrancar dali naquele momento. Não perco uma boa revelação por nada deste mundo.

*Cabelo comprido liso, camisola de gola alta lisa cor de tijolo, mini-saia preta rodada, meias pretas e botas de verniz de cano alto e um salto elegante. Morena.

**Em todos os locais onde haja mais do que uma mulher, existe sempre uma mais bonita do que as restantes. Um destes dias falarei sobre esta teoria.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Domingo à Segunda.

Não julguem que ao fazerem programinhas alternativos, ou a enganar o Domingo, que ele não volta em todo o seu esplendor depressivo à Segunda.

sábado, 15 de janeiro de 2005

Porto me mata, carago (5).

Porto me mata, carago (4).

Porto me mata, carago (3).

Porto me mata, carago (2).

Porto me mata, carago (1).

Malas aviadas, passaportes em dia, visto diplomático na bagagem, os três pastelinhos rumaram a norte no Alfa Penduricalho, esse portento da física moderna. De tudo o que vimos e comemos, a reter: Paula Rego é, nas palavras de um pastel bem nosso conhecido, "um torpedo na casa das máquinas", Serralves é "o" museu nacional, os bilhetes de comboio são para se guardar na carteira e os mini-bares servem mini-bebidas que nos deixam mini-bêbedos. As imagens da catástrofe, já a seguir.

Paula Mar.



Ver a exposição da Paula Rego em Serralves é como ver o mar. Depois de nos encher os sentidos, reduz-nos ao pouquíssimo que somos. Limitamo-nos a ver o génio a passar à frente e a única coisa que podemos fazer é tentar evitar que alguma coisa nos entre na boca incapaz de se fechar pelo espanto.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

True, true.

Na entrevista dada por Adolfo Luxúria Canibal ao Pessoal e Transmissível da TSF:

“Só em Portugal é que se usa a palavra intelectual para ofender alguém.”

Esta tarde,



Se Deus quiser e se o Alfa Pendular não se distrair, estaremos a olhar para um destes.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

Buchholz, Valentim de Carvalho, Barata.

Há quem diga que defende a cultura nacional. Meninos...

Eu convidava-te para jantar, mas como não fumas...

"Vamos ser intransigentes (com o consumo do tabaco) nos locais em que as pessoas não escolhem ir", afirmou o responsável (Luís Filipe Pereira), citado pela Lusa, referindo-se à proibição de fumar em escolas, instituições de saúde e locais de trabalho fechados. O mesmo já não deve acontecer naqueles onde "as pessoas sabem o que as espera", disse o ministro. É o caso de bares, restaurantes e discotecas.

in Público, 13/1/2005

Claro que este recuo na proposta de lei anti-tabagista não teve nada a ver com a aproximação de eleições legislativas desfavoráveis para o poder político vigente e muito menos com os interesses da Tabaqueira/Phillip Morris. Este acto de cobardia teve como único propósito mostrar aos não fumadores que devem evitar bares, restaurantes, discotecas, concertos e outro locais onde “já sabem o que os espera”, os párias. Agora ficam em casa, que é para não se armarem em esquerdalhas. O que vale é que há sempre a Telepizza.

É a cultura, gorda!

Ontem estive no S.Luiz no 'É a cultura, estúpido', a reparar que a cultura e gajas boas são quase incompatíveis.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

Olha um dia tão perfeito.

Cozido confeccionado por Deus himself, na companhia dos outros dois pastelinhos, Interpol, Brad Mehldau, um DJ Set de Akufen e Soulwax na aparelhagem a tarde toda e um processo de aculturação magistralmente encetado pelas cabeças pensantes de referência no panorama intelectual nacional (foi a cultura, estúpido), inclusivé pelo senhor que já é conhecido na rua como "aquele indivíduo tipo Orson Welles mas com cara de nota". É como diz o Lou Reed, meus amigos - "take a walk on the wild side..."

No fim, é como se estivéssemos de trigémeos.

Foram os três pasteis almoçar hoje ao Painel de Alcântara. Repastámo-nos com o melhor cozido à portuguesa de Lisboa para a confirmação hebdomadária da existência de Deus. Apesar das desconfianças, o Sr. Manuel ainda não confirmou o que há muito desconfiamos: que Deus, ele próprio, dá lá uma mãozinha nos dias do cozido, Quartas e Sábados.

Estamos tão bem tratados que parecemos saídos das mãos da rainha das massagistas tailandesas. Em sessões individuais de quatro horas por pastel, é claro.

Atestado médico.

Há por aí uma série de indivíduos com sérios problemas do foro psicológico que nos decidiram lincar. Apesar da gravidade do sucedido, não queria deixar de lhes enviar uma palavra de apreço e uma outra que me parece adequada, apesar da necesssidade de receita médica. Vocês não são loucos, meus amigos, são só especiais, muito especiais.

Tráfico de armas.

O que é que nos pode inibir de participar e lucrar em negócios ilícitos ou menos claros num país onde o Morais Sarmento - isso mesmo: o Morais Sarmento como se tivesse andado comigo na escola - faz uma viagem a S.Tomé e Príncipe, em trabalho, a custar 65 mil euros? É que lagostas com fimbria de ouro até devem fazer mal.

Qualquer dia o Bogart acorda assim.



Com a Bomba nos bracinhos.

terça-feira, 11 de janeiro de 2005

Autópsia de uma dúvida.

Uma especialista em medicina legal que tem uma sapataria em Massamá será uma médica lojista?

Tenham a bondade de me auxiliar

Porque é que ouço tanta gente a dizer que não gosta de poesia sem causar qualquer espanto? E porque é que essas mesmas pessoas olham com desdém para alguém que diz que não gosta de teatro?

Explicações precisam-se.

A fina arte da sedução.

A minha mãe dá prendas de natal mesmo fixes.

Onde deve estar o galo de Barcelos?

Como a qualquer bom descrente, o Feng Shui não me diz absolutamente nada. Vem isto a respeito dumas cretinices inacreditáveis que ontem ouvi de raspão na rádio. Para mim o Feng Shui é um parente rico da IURD com as suas correntes mais ou menos fortes (ouvi uma senhora dizer que a corrente da Amadora era superior à da Almirante Reis). Diga-se, em abono da verdade, que o culto que actualmente se pratica a tudo o que vem da Ásia é feito por pessoas que muitas vezes nem conhecem as raízes hábitos e crenças do seu próprio povo, mas este não é o assunto a desenvolver agora.

Certa vez, um amigo contou-me que o pai, militar da força aérea, colocava metodicamente as lâminas de barbear com o gume no sentido do norte terrestre. Pegava numa bússola e alinhava o apetrecho para que o magnetismo não retirasse características ao metal. Achei lindo, como acho lindo a teoria de que devo tirar o espelho da entrada de casa.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

Post-it.

Só para dizer que eu sempre achei que o Pedro Mexia tinha cara de nota, mais concretamente de Benjamim Franklin, sobretudo a 3/4. No bom sentido, claro.

Idem, idem, aspas, aspas.

“Seria altamente higiénico se os partidos não fizessem campanha, não sujassem as ruas e não visitassem mercados. Visitas a mercados – e a lotas – costumam oscilar entre o patético e o trágico.”

João Pereira Coutinho, em entrevista ao Correio da Manhã.

Eixo do dólar.

Já repararam que o Pedro Mexia tem cara de nota?

Pedra de toque.

Há muito, muito tempo que a minha música pop preferida é “Rock the Lobster” dos B52's. Porque cada vez que a ouço lembro-me do Braz & Braz com as suas fabulosas lagostas de plástico que enfeitavam a mesa antes de esta se pôr para a sopa da pedra.

domingo, 9 de janeiro de 2005

Prémio falta de leitura – Revelação*

Pergunta: Um livro?

Resposta do Herman José: Eça de Queiroz, todos.

*Rubrica criada a partir de hoje para premiar o que todos já sabíamos e que, por uma razão qualquer, se vem a confirmar de forma inequívoca.

No meu tempo havia uma coisa muito bonita chamada a ironia.

Grande, grande concerto de Joseph Arthur, no Pavilhão Atlântico, na sexta feira. E os senhores que fizeram a segunda parte também não estiveram nada mal.

Rotina de todas as manhãs de Sábado.

Não comprar o Expresso. E cada vez que vejo alguém com o orgulhoso saco da HP sinto vontade de me dirigir a esse incauto como uma Testemunha do Bom Senso para o tentar arrancar da tentação e alertar para a salvação possível.

Talvez um dia, se me pedirem muito (o que só por si é um reflexo de falta de atenção), eu apresente as razões que me levam a dizer que O Expresso é o melhor jornal para quem quer pintar dois quartos e uma sala.

Aqui me dexpresso, com amizade.

Orientação vocacional.

Quando for grande, quero ser assim.

sábado, 8 de janeiro de 2005

A cor que a luz tem.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2005

Por falar em Eduardo Prado Coelho.

Alguém consegue explicar porque é que este, e outros intelectuais da nossa praça, dizem defícil em vez de dificil?

Eduardo Prado Coelho vs Maria de Lurdes Modesto.

A expressão “mudança pacífica” faz tanto sentido como uma feijoada dietética.

Os ____________ de 2004.

Seja o que for, melhores e piores, imprescindíveis e dispensáveis, regressos e pleonasmos, ele há obras que marcaram o ano que agora findou. O que se passa é que tenho um gravíssimo problema de memória (ou de falta dela) e não me recordo das coisas que me impressionaram, tocaram, marcaram nem à lei da bala. Mesmo assim, arrisco uma lista, sempre subjectiva, sempre sujeita a esse grande imponderável que habita algures dentro da caixa toráxica, entre uma batida e a próxima.

Um filme: “Lost In Translation” de Sofia Coppola
Um disco nacional: “Torch Songs For Secret Agents” de Bullet e “AM/FM” dos Gift
Um disco internacional: “Antics” dos Interpol e “Satan’s Circus” dos Death In Vegas
Um concerto: Josh Rouse no Fórum Lisboa
Uma série: CSI, no AXN e na SIC

Claro que haverá muito mais, muitas outras obras dignas de referência, muitas manifestações culturais que se sentirão injustiçadas, mas a verdade é que a minha memória é tão duradoura como a maioria das promessas eleitorais. Já vos falei das minhas escolhas para os “Melhores de 2004”?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

Leva assim, ou quer que embrulhe?

- Amo o pai, a mãe, o Ivan, o Benny, o Storm e os outros cães amarelos, gomas, carros e morangos.

- E uma mana, filho, queres uma mana? Ou um mano?

- Não. Gostava era de ter um tractor amarelo grandalhão.

Afonso, 3 anos.

Só mais uma. Só mais uma.

Então e este que tem miúdas nuas à fartazana. E quando digo nuas, é mesmo a sério. Bora .

O elogio da insanidade.

Há quem seja apanhado do clima. O maradona (com minúscula), é apanhado do blog, muito mais grave, muito mais divertido e, agora sem telecomando, muito mais cáustico. Ele há malucos. Ele há o Charles Manson. E, enfim, ele há bloguistas.

Partilha.

A angústia de um blogger leitor passar a blogger escritor é gastricamente envolvente e cansativa. Especialmente quando pressionada pela mais fina pastelaria.

Portugueses passam o fim de ano em casa.

Se não é notícia, devia ser. Caso contrário, como é que explicam isto?

Pasteleira

Tive uma. Herdei-a do meu avô paterno. Com luzes e um retrovisor, de ferro, pesada como se a vida me obrigasse a despender toda a adolescência naquela roda pedaleira.

E agora isto. Um papel, (ou pastel), importante na gastronomia da blogosfera.

A provar vamos.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

10.000.000 de watts.





Arma secreta.

O ilustre fadista, monárquico de renome (ser monárquico hoje em dia não é o mesmo que ser lobotomizado?) e estandarte de causas nobres, como a luta pelo acesso pago ao Castelo de S. Jorge, Nuno da Câmara Pereira, é o grande reforço do PSD nas listas para as Legislativas. É que depois da recusa de Margarida Rebelo Pinto em defender o Partido Social Democrata pelo círculo do Porto, medidas extremas exigiam-se.

A conta que Nossa Senhora fez.

Primeiro post de um blog novo, ombreado por dois grandes escritores da nossa praça (da minha rua, quer dizer, do meu beco, enfim, cá do bairro), é uma tremenda responsabilidade. Fazer jus a um blog como o Ponto e Vírgula é outro enorme fardo. Afinal, as dezenas de familiares meus que por lá passaram nestes quase dois anos estão na expectativa em relação aos meus próximos passos. Como, pergunto eu, lidar com esta pressão? Com as mãos nos bolsos, assobio para o ar e guardo a certeza de que nos vamos divertir que nem uns perdidos. E, espero, vocês também. Olá, o meu nome é Pastel de Nata, também (des)conhecido como Ponto, e sou um bloguista compulsivo.