quinta-feira, 24 de março de 2005

The Life Bizarre With Wes Anderson.

Depois dos "movie brats", os "movie weirdos". A nova geração de realizadores de hollywood tem muito pouco ou nada a ver com a segunda maior indústria cinematográfica do mundo. Spike Jonze, Alexander Payne, Paul Thomas Anderson, David O. Russel e Wes Anderson têm tudo o que os realizadores "independentes" têm ("final cut", liberdade criativa, tempo), e os orçamentos chorudos das grandes produções. E isso vê-se como nunca antes na nova aventura de Anderson, o Wes, "The Life Aquatic With Steve Zissou", uma história de amizade, paternidade e solidão coberta por um "pastiche" da vida e trabalho do mais mediático explorador subaquático de todos os tempos, Jacques Costeau.

O filme anterior de Anderson, "Royal Tennenbaums", já indiciava a patologia saudável do senhor em questão, mas em "The Life Aquatic" essa forma peculiar de ver e avaliar o mundo e as relações interpessoais atinge um novo patamar, muito próximo da perfeição. Para além de tudo, "The Life Aquatic" é Seu Jorge a interpretar versões portuguesas de temas de David Bowie (sobretudo da fase Ziggy Stardust), Owen Wilson a justificar porque é que é um dos melhores actores cómicos da actualidade (há ali um "underacting" que seduz) e Bill Murray a erguer o dedo do meio, num amistoso e muito saudável "fuck you" a todos aqueles que lhe recusaram o epíteto de "melhor actor de comédia vivo".

Pode ser que a academia se distraia e lhe dê o óscar em vida.