quarta-feira, 20 de julho de 2005

Se eu fosse alguém.

"O DVD é o grande concorrente das salas de cinema", diz-nos, sabiamente, o Público de hoje (perdoem-me a ausência de link, mas desde que o pasquim se fez pago na sua versão online por um produto que não funciona, deixou de merecer o privilégio).

Ao longo do artigo, o jornalista José de Mateus e o presidente do ICAM Elísio de Oliveira apontam o advento da tecnologia como principal responsável pela abrupta queda de telespectadores nas salas de cinema nacionais. Lá pelo meio, o presidente ainda dá um ar da sua graça ao enumerar o preço dos bilhetes como potencial dissuasor. Fofo, mas falso.

Se fosse o maradona, tinha os tomates para atirar para aqui uma cambada de patacoadas em tom de verdade absoluta (e atenção que ele tem a autoridade para o fazer, eu não). Assim sendo, deixo uma sugestão, mesmo que pueril e inconsequente - não é a tecnologia de ponta, não é o preço dos ingressos, é mesmo a qualidade das películas em exibição.

1999. Este ano brindou-nos com filmes como Fight Club, American Beauty ou Magnolia. Hapiness veio no ano anterior, Memento no seguinte. Há seis anos atrás, a dificuldade era escolher. Hoje, a tentação é ficar em casa, sacar da net, alugar na blockbuster, comprar com o Público, com o DN ou com a Saberes&Lavores. E não me venham com a conversa do IVA e da crise: a crise existe sim, mas nunca nos impediu de dar um passo em frente, de recusar o establishment, de ir mais além.

Se eu fosse o maradona, se eu fosse alguém, este era um post sério.

Feliz (ou infelizmente), não sou.

Agora desculpem-me, mas tenho que ir pôr o meu Tati em dia.