sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Animália.

Tal como as campanhas anti-tabaco estimulam o aumento do seu consumo, cada vez que vejo uma campanha-autocolante da PETA tenho vontade de formar uma associação de consumidores, que para sua segurança, só compram produtos testados em animais.

Reader´s Digest.

Há canções que resumem vidas inteiras.

BUM!

Em conversa com o Tentúgal descobrimos A combinação explosiva: produtos espanhois em loja de chineses.

O Vasco Pulido Valente, a Suécia e o Sporting.



Na semana passada li uma crónica do Vasco Pulido Valente por engano, (eu, como o outro, só leio jornais estrangeiros), em que ele anunciava o fim do modelo social em que vivemos. Dizia que o estado providência, modelo do séc. IXX, estava falido, que o fim estava próximo, que toda a gente estava parva e que ele é que sabia. Sindicatos alemães, trabalhadores franceses e analfabetos portugueses estão todos enganados. Subsídios, regalias e o estado a suportar tudo é uma estupidez e não poderá nunca funcionar, observava o cronista.

Não sabendo eu que substância o tolhia, lembrei-me de imediato dos países nórdicos e como estes desmantelavam empenhadamente a palermice que acabara de ler.

A Suécia, por exemplo, tem as gémeas de 1,80 metros e o Halmstads que enfardou o Sporting com 3 (três) ginginhas 3 (três).

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Sem netcabo, sem tempo.

Mesmo assim, há coisas que não podem passar incólumes.

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Ter uma veia provinciana permite-me aceitar com clara compreensão coisas como:

- Matar coelhos com moléstia com murros na nuca, vários seguidos e alguns sem ser à primeira;

- A última visão de um cão atropelado ser os canos sobrepostos de uma caçadeira;

- Velhotas simpáticas a ensinar gatos recém-nascidos a nadar em alguidares com água;

- As crónicas do Eduardo Prado Coelho;

- A justiça ser uma espécie de vingança, por mais voltas que se dê;

- Campanhas eleitorais para eleições autárquicas.

Eufemismo.

Ter um Smart e não estacionar porque o lugar é pequeno.

sábado, 24 de setembro de 2005

Imagem Latente.


A fotografia.


A mulher.


O fotógrafo.


A assistente.

Existem muitas teorias e muitas dissertações acerca dela. Dizem que é um dos exemplos vivos de limbo ou um pedaço de misticismo que ninguém aproveita.

A Imagem Latente é o que o fotógrafo capta na película e o que aí permanece antes desta ser revelada. É a fotografia antes de o ser. É uma imagem que já lá está mas que não existe em lado nenhum. É algo que só a revelação vai mostrar. É um momento que ficou guardado algures e que não existe antes da câmara escura.

Esta imagem foi tirada por mim numa câmara digital. Mesmo que tenha alguma magia, nunca foi Latente, infelizmente.

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

É assim.

A Fátinha chegou e andou. Apesar de ser uma pinante de primeira e de ter andado fugida, alguém comprou/pagou/subornou/influenciou a sua liberdade.

Depois admiram-se da comunicação internacional dizer que Portugal é um país que não dá sinais de sair da corrupção terceiro mundista que caracteriza os piores países.

P.S. Antes que me perguntem, já li esta crítica, pelo menos, na News Week e no Times, nomeadamente quando falaram do caso Casa Pia.

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Estou triste.

Não só por a fatinha com apelido de nome de terra estar a pisar território nacional, mas também poque as probabilidades dela morrer atropelada ou mesmo cimentada no calçadão diminuiram para valores próximos do zero. Bom, sempre há os motins em Tires.

Epifanias.

Ontem, final do dia, a caminho de casa. No rádio do carro, como quase sempre, mora a RADAR, 97.8 FM. Poucos minutos passavam das nove quando começa "1977", um dos meus temas preferidos do último disco dos The Gift, "AM/FM". "Bem, apetece-me mesmo ouvir esta música..." pensei eu, enquanto punha o volume no 10. Semáforo vermelho. Gesto automático, avalio os meus companheiros de trânsito, primeiro o da direita, depois o da esquerda, depois o da frente, e novamente o da esquerda, agora com incredulidade. No carro ao lado do meu, John Gonçalves, teclista e baixista dos Gift. Não resisto, abro o vidro, açeno-lhe e aponto para os ouvidos, ele abre o vidro, reconhece-se nas ondas hertzianas e sorri, enquanto grita por entre as buzinadelas dos carros de trás "é a minha música preferida do AM!". Arrancamos no semáforo, mais à frente separamo-nos, despedimo-nos com novo aceno, fecho o vidro e ponho-me a pensar na vida e na graça involuntária que nunca deixa de ter.

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Para que servem os amigos?

Para divulgar o Deserto.

As novas sitcoms.

Por razões que não confesso, ontem obriguei-me a ver mais do que um frame da estação proíbida, a 4, onde passava o estreante AB...Sexo. Para além da apresentadora falar de sexo como se estivesse a falar de política ou física quântica, qual sketch do Gato Fedorento, os tele-espectadores que para lá ligam têm questões/observações do género: (a falar de sexo oral) 'Eu gosto de fazer, ele gosta que eu engula'. É tão bom haverem novas grelhas de televisão.

Qualquer pessoa dá um homicida qualquer.

Netcabo, pois.

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Isto está calmo.

Demasiado calmo, digo eu. Querem histórias bonitas enquanto os outros dois andam a falhar? Cá vão duas:

Na Rússia fazem-se presuntos de urso.

Uma das formas de matar lobos usada pelos esquimós é: espetar uma faca na neve e na faca espetar um pedaço de banha. Depois do lobo perceber que não consegue arrancar a banha, desata a lamber a própria. A dada altura corta a língua gelada e o sabor a sangue aparece. Ele, sem saber que é dele o que o excita, lambe ainda mais. Morre de hemorragia pouco depois.

No passa nada. Se isto amanhã ainda estiver assim, ponho a fotografia de uma gaja boa, mas boa, para desenjoar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Such a perfect day.

Este sou eu ontem:

11:30 – Reunião com uma designer fresca, bonita e empenhada para aprovação de conceitos para uma campanha. Resultado: 5 ideias de merda, 1 média e 2 boas;

13:00 – Reunião na sede da melhor editora portuguesa para receber dois belos trabalhos a realizar na próxima semana;

14:00 – Reunião num estúdio de um talentoso e inteligente fotógrafo para vermos ao longo da tarde as mulheres mais bonitas que existem em Portugal actualmente, ou seja, dois terços das modelos classe A da Central Models, que chegavam em intervalos de meia hora para aferição da sua competência a fim de participarem num lançamento de uma marca de jóias;

19:00 - Resultados do casting: na final estavam três modelos para se escolher uma. O cliente, eu e o fotógrafo, após várias sessões de desfibrilador e reanimação decidimos escolher, não uma, mas sim duas top models para participarem em todas as peças da campanha;

20:00 – Jantar no Painel de Alcântara constituído por arroz de garoupa com gambas, vinho branco ribatejano e tarte de limão para amaciar.

À ida para casa penso o quanto o meu pai estava errado quando me dizia para seguir engenharia.

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

É a arte, estúpido!

erwin3

erwin2

erwin6

Exposição/Instalação de Erwin Wurm no Museu do Chiado, Lisboa.

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Arte periférica.

arteperiferica

A escrita, agora automática.

letras

Depois de "Last Days" de Gus Van Sant.

Há filmes que se fazem (e bem) da direcção de fotografia e da montagem.

lastdays

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Memória inútil.

Creio que todos nós fixamos coisas nem sempre muito importantes, que ficam no nosso disco rígido para sempre, ou quase sempre. A mim acontece-me com números de telefone e matrículas de automóveis de pessoas que fazem parte da minha vida. Assim é natural que não consiga recitar Shakespeare no automático.

Mother Power.

Que as mães têm poderes sobrenaturais é um pressuposto básico indiscutível. Mas independentemente da idade ou do tempo de maternidade ganham duas características, para mim, inexplicáveis: antes de baixarem o volume do som aumentam-no primeiro e nunca mais conseguem precisar o tempo - por exemplo 08.46 são 09.00 horas. Que genes mutantes são estes?

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Para mim,

Um vegetariano é tão estúpido como um carnívoro.

Da velhice (3).

Em vez de resolver diplomaticamente os diferendos, só penso "quem me dera saber de cor a fórmula da nitroglicerina e ter os ingredientes aqui mesmo à mão".

Da velhice (2).

Hoje em dia, a mim quase tudo me aborrece.

Da velhice (1).

O Kurt Cobain já estoirou os miolos há mais tempo do que parece.

Z-Files.

Um jovem enfurecido abalroou a esplanada de um café no Crato, recorrendo a um auto-tanque dos bombeiros, uma semana e poucos dias depois dos Beach Boys terem actuado na vila alentejana. Coincidência? Não há coincidências, meus amigos.

Amor é...

O prestável funcionário da mercearia da minha rua me perguntar, a cada compra que faço, "então e hoje, uma garrafinha de vinho, não leva?".

E se um presidente da câmara gostasse de arte?

Ia ao Pagapouco e aproveitava os famosos saldos para comprar maravilhosas telas, pintadas a óleo, por apenas 10 euros e 99 cêntimos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

E o que eu gosto desta criança, meu Deus (Nietzsche, pois claro).



Durante muito tempo um escravo e um tirano se esconderam na mulher. Esta a razão pela qual a mulher ainda não é capaz de amizade: ela só conhece o amor.

A mulher ainda não é capaz da amizade. As mulheres são ainda gatos ou aves. Ou, no melhor dos casos, vacas.

Assim falava Zaratustra

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Código Fuhrer.

Nunca estranharam que a sigla do nosso sistema de apoio ao trabalhador partilhe a mesma sigla que a polícia política e militar do III Reich? Das ist not gute....

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Post-its mentais.

Distraído, desmiolado, esquecido, aluado e desorganizado (não confundir com desarrumado) que sou, não consigo evitar, ao final do dia, percorrer mentalmente as tarefas em suspenso, datas pertinentes, reuniões iminentes ou aniversários pendentes que por aí se avizinham. As de hoje são estas:

- A minha bisavó (avó velhinha para os bisnetos) faz 100 anos no dia 31 de Dezembro deste ano. É fabuloso, não é?

- Tenho uma reunião demasiado cedo amanhã.

- Ainda não encontrei os presentes de aniversário certos para, pelo menos, três pessoas que me são muito próximas.

- Falta-me entregar um papel na segurança social para "regularizar a minha situação" (desafio os nossos dois leitores a enviar-nos um e-mail que relate as suas peripécias na S.S. Desconfio que daria, no mínimo, uma boa trilogia).

- Tenho que dar baixa dos recibos verdes.

- Até amanhã de manhã, tenho que ter escritas páginas de descritivos que poderiam muito bem competir com os Lusíadas (se avaliarmos a espessura da lombada, naturalmente).

- Devia ir ao lixo e ao vidrão.

- Daqui a uma hora e pouco dá o debate Sá Fernandes/Carmona na SIC Notícias.

- Continuo a ter os tais descritivos por escrever.

- Tenho que comprar uma agenda.

Ah, a vida, esse work in progress.

Lixo.

Entre tudo o que ontem deitei fora, ia o disco do Antony And The Johnsons "I'm A Bird Now".

Literalmente, mandei-o fora. Sou hoje uma pessoa mais feliz e com uma auto-estima reforçada.

A verdade (e a vida) é dura para todos:

- As pessoas letradas são mais inteligentes do que as analfabetas;
- Quem lê tem zonas do cérebro mais desenvolvidas do que quem não o faz;
- Quem aprendeu a ler na infância tem atributos de agilidade de raciocínio bastante superiores a quem só o fez depois de adulto.*
- Crianças ricas em todos os aspectos são mais inteligentes do que as pobres em todos os aspectos;

Esta é uma pequena lista de verdades irrefutáveis, provadas cientificamente e baseada numa que não existe mas que, a existir, seria muito maior e crua. Perguntem ao neurologista Alexandre Castro Caldas que tem dedicado toda a sua vida a provar estas e outras verdades.

*Esta é linda e deve-se ao desenvolvimento de um calo que existe entre a junção dos hemisférios cerebrais. Se não houver um esforço de pequenino, pimba, fica atrofiado.

terça-feira, 6 de setembro de 2005

Colete Parade.

A festa do colete está instalada. Hoje, com a chuvinha, ai a chuvinha, as ruas da cidade parecem um encontro de empregados de recolha do lixo, uma manifestação de GNR desorganizada ou um encontro de ravers xunga. O lado B da grande iniciativa do uso obrigatório do colete está aí, a revolucionar a estética urbana. Para pior.

Mordo o lábio e sangro um pouco enquanto escrevo isto.

Chuva, portugueses e trânsito: uma combinação explosiva.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Mordo o lábio enquanto escrevo isto. (2)

Acho que, nas próximas autárquicas, vou votar no João Adelino Faria.

Mordo o lábio enquanto escrevo isto. (1)

A Maria José Nogueira Pinto é a maior.

E se as bruxas existissem.

Numa qualquer reportagem de telejornal sem interesse, redundante portanto, inquire-se passeantes que visitam uma feira do oculto e bruxaria:

entrevistador: então e o que é que acha da feira?
entrevistado: aaa.... eu... eu nem acredito em nada disto.
entrevistador: ...mas já comprou alguma coisa?
entrevistado: mmmm, olhe pelo sim pelo não comprei uma saqueta de Montópau.

Pois.

Abuso Digital.

(dito assim num espaço comercial televisivo):
Roupa Nova. Em Cd.

E também em DVD.

Padrinho e Madrinha.

São só mais um argumento para juntar pessoas à força, não é?

Com estes dois, que a terra há de comer.

Vi, no Domingo, num parque de campismo, um senhor sentado numa daquelas cadeiras de praia dos anos 70, em estrutura tubular metálica e tecido com padrão de flores, numa mão um mata-moscas de plástico tipo raquete de badminton e na outra “O Julgamento” de Kafka.

domingo, 4 de setembro de 2005

Ferramenta de trabalho.



O lápis, não o director de arte.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

Deve ser isto, o consumismo.

É que ele há coisas que tenho mesmo vontade de comprar, independentemente do tipo de uso que lhes possa dar. Aliás, apesar do tipo de uso que lhes possa dar.

Às compras num hipermercado que fecha à meia noite.

Há poucas coisas mais sexy do que um homem adulto a patinar com meio quilo de beterraba nas mãos. Ah, e que é pago para isso.

Vivo num país:

- Onde existem Avelinos Ferreiras Torres candidatos a presidente de câmara.
- Onde quem lê pensa que é muito culto.
- Onde se tem vergonha de usar a palavra intelectual.
- Onde o Miguel Sousa Tavares pensa que é intelectual.
- E o Eduardo Prado Coelho também.
- Onde não existe uma única piscina de saltos para a água.
- Onde um violoncelista nunca poderá ser famoso.
- Onde os museus fecham às 5.
- E os hipermercados à meia-noite.
- Onde existe a Costa da Caparica.
- Onde ir a um restaurante étnico é sinónimo de sofisticação.
- Cujas ex-colónias são todas miseráveis.