sábado, 29 de outubro de 2005

Paciência de nepalês.





Há um restaurante nepalês na rua onde trabalham dois dos três pastelinhos. O hábito de enfeitar as iguarias com trabalhos de artesão elaborados em vegetais diversos já era apologia da casa, mas interrogo-me sobre quantos pequenos nepaleses agrilhoados numa cave escura e húmida de Alcântara é que se dedicaram a descobrir as propriedades esculpíveis da cenoura.

Quem tem amigos tem tudo.



Postal que o Bacalhau me trouxe de Colónia.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Ah é? Então o Basquiat é o quê?







Ah, então o Pollock é que é arte contemporânea?

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Desculpa-me.



Nenhuma outra mulher, desnudada ou não, poderá ser aqui colocada por mim. Eu sei, sou um crápula manipulador e insensível. Perdoa-me. Foi apenas uma garotada sobre o bochechas. Um dia eu explico-te quem é que ele foi.

Faz todo o sentido.



A candidata Soares.

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Eu não sou de intrigas.

Mas um certo e determinado pastel mais salgado já regressou de terras de sua majestade, com coisas boas na mala e uma mão cheia de histórias para contar.

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Humor (ou falta dele) publicitário.

Como copy, facilmente cedia à tentação do plágio. No cartão de visita, mudaram-lhe o título - de copy para paste.

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

A felicidade.

Sempre foi o inimigo mais temível dos criadores.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Um monólogo é masturbação?

Há pessoas que não se tocam.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

The good ones.*

Digam o que disserem dos cabeleireiros moderninhos, cortar o cabelo e ouvir isto* ao mesmo tempo é a minha definição de qualidade de vida.

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Isto foi um assalto.







Stand da Nokia na Moda Lisboa, simulacro de uma ala de museu de alta segurança, palco do que seria o maior assalto do século (se acreditarmos em tudo aquilo que os publicitários nos dizem, essa corja).

O capital.

Sucumbi, sou um traidor, uma vergonha para a classe operária - vivo numa casa com lareira e gosto.

É só para avisar que não é o fim do mundo, mas parece.

A Gripe Espanhola em 1918 matou 50 milhões de pessoas.

Em Portugal foram 120.000 mortos.

Só na cidade de São Paulo foram 17.000 óbitos.

No fim das contas, 1% do total da população do planeta tinha desaparecido.

Guerras mundiais? Deixem-me rir.

sábado, 15 de outubro de 2005

Poetas anónimos.

O escritor ao balcão de um bar.

"Dê-me uma sílaba tónica, por favor."

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Soltas.

Enquanto não me chega a sacada para poder patentear uma parvoíce qualquer que venda que nem pipoca e me torne milionário, limito-me a observar. Observo que em Portugal as pessoas continuam a achar que uma long distance call implica berrar para que o receptor oiça. E que falam mais rápido para poupar uns euritos, quando são capazes de gastar o dobro em conversas de merda diárias, mas nacionais. Observo também que comprar um bilhete de avião é como ir à Makro: tudo parece barato até acrescentar o IVA. No comércio aeronáutico (palavra tão anos 80) dão-nos o preço das viagens sem as taxas de aeroporto, como se pudessemos optar por partir do terraço de nossa casa.

Se repararem na minha ausência na próxima semana é porque estou de férias em Bruxelas e Colónia.

Um dia.



Vou conhecer este senhor, soletrar-lhe o nome deste Sol com Climbing up the walls dos Radiohead de fundo e acabar com um “tenha a bondade de me auxiliar”.

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Nefelibatas.





Com um abraço especial para aqui.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Saudades de NY.

Casa, bateria e, sobretudo, baixo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Górdio.

Tenho um nó no coração. E pior: ninguém o pode desatar.

Há coisas que queimam a retina de um gajo.

A Bárbara a esfregar, repito, a esfregar o nariz na bochecha do Carrilho.

domingo, 9 de outubro de 2005

Guilty pleasures (3).



Apanhar figos de piteira, andar uma semana e meia a tirar os picos dos sítios mais inimagináveis só pelo prazer de um sabor quase interdito.

Guilty pleasures (2).



Deixar crescer a barba (a reduzida percentagem que se dá ao crescimento) nas férias do verão.

Guilty pleasures (1).



Batatas fritas caseiras.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Ser humano é...

Ao contrário dos prosaicos autocolantes que recheavam as laudas dos nossos dossiers de argolas na primária, que anunciavam tudo aquilo que o amor é suposto ser, a humanidade é muito menos frequente e, quando o é, não passa da aparência. Humanidade é os trabalhadores das obras do gás que inundaram as ruas da agência nos últimos dias terem adoptado um cão vadio, oferecendo-lhe mais amor e carinho do que alguma vez o animal terá conhecidoao longo da sua (curta) existência. Sim, a obra vai acabar, sim o rafeiro voltará às ruas que tão bem conhece, mas as festas na cabeça que recebeu durante 15 dias, essas ficam por muito mais tempo do que possa parecer.

Da vergonha.

Em frente ao meu prédio, uma passadeira numa das artérias secundárias de um dos bairros mais movimentados da capital. A morfologia da rua convida ao pé pesado, não sendo impossível (e até muito frequente) passar por aqui entre os 80 e os 100 km/h. Ao longo da quase totalidade da dita extensão de estrada, uma passadeira, praticamente invísivel, até hoje de manhã. Curiosamente, calha este domingo ser dia de autárquicas. Ele há coincidências do camandro.

O dilema.

Nunca conseguir fotografar aquilo que os olhos vêem.

E assim acontece-me. Sempre.

É impressão minha ou a RTP Memória não é mais do que uma aplicação prática da piada antiga vitórias-do-benfica-só-na-Sic-Gold?

Posicionamento social ou será que afinal até sou de direita?

À saída da festa do ano, leia-se 7ºaniversário do LUX, ainda à conversa com 6,7 amigos, acontece uma cena de porrada, apenas parcialmente visível do ângulo em que nos encontrávamos. Gritos das namoradas deles a pedirem que parassem, ao mesmo tempo que a minha única preocupação foi a de assegurar que ninguém do meu grupo fosse lá dizer ou fazer o que quer que fosse.

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

É o vinho, senhores.

terça-feira, 4 de outubro de 2005

Confissões de um pastel.

Almoço de reencontro dos pastéis, agora momentaneamente separados por vicissitudes profissionais. O rendez-vous, o clássico Painel de Alcântara. Mais afastado deste bairro da cidade, o Tentúgal, visivelmente extasiado, e enquanto entra no templo, comunica aos restantes “Eh pá, estar aqui convosco é como voltar ao útero da minha mãe”. Faça favor de se sentar que o senhor doutor já o atende.

Kamikaze.

Sempre sonhei em ser piloto suicida ao serviço de uma nação ou de uma grande causa. Aos 20 anos deixei-me de ilusões e passei a ser automobilista em Lisboa.

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Deixei de acreditar no mundo faz no ano que vem seis anos.

Tudo porque a minha professora da primária disse: é certo que daqui a 30 anos todas as reservas de petróleo estão esgotadas.

Eterno retorno.

Foi dia de eclipse. Um daqueles que só acontece uma vez no século, mas que todos os anos aparece.

Os eclipses fazem-me sempre lembrar a masturbação. Se abusarmos ficamos cegos.

Doenças profissionais.

Incontáveis, sobretudo para quem trabalha muitas horas atrás de uma secretária, em frente a um computador. Evitei a esclerose, a vista cansada, os problemas de circulação. Da ironia, não me safo.

The upside of down.

Sem net há mais de uma semana (para aqueles que me conhecem, uma ocorrência tão grave quanto ter a gaveta das meias desarrumada), dou por mim a abraçar o infortúnio e a apreciar este estado medieval em que a informação não nos chegava em tempo real, a comunicação humana era oral (ignorem os sms’s, por favor), sem attachs, em que o tempo era assassinado de outras formas que não a navegar (frequentemente) num imenso vazio. Ganhei tempo, aprendi a dar valor às coisas importantes da vida, aproveitei para fazer coisas que andava a adiar há meses, anos. E, sim, as unhas dos pés ficam mesmo impecáveis quando devidamente cortadas.

E o tejo ali tão perto.

DUAS