quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Cenas dos próximos capítulos.

Terão os nossos leitores (se a minha madrinha ainda estiver de férias, são dois, e sim, mãe, vou jantar a casa) reparado que, aqui nos Três Pastelinhos não somos muito blogosféricos. Meaning, lemos blogs (uns pastéis mais do que outros), gramamos, mas não vivemos a blogosfera como muitos bloggers a vivem – como um microcosmos, uma república universitária, um jantar de final de curso no Rei dos Frangos da Feira Popular. Por isso, como capacete azul (observador participante), tenho achado curiosa a inflexão que este meio tem sofrido nos últimos tempos – das grandiloquentes declarações de intenções do início, passámos para um discurso cada vez mais confessional, não no sentido literal, mas como se estivéssemos um monumental bloco de prédios, onde todas as janelas estão permanentemente abertas, escancaradas, de cortinas corridas e luzes acesas. O mais curioso é que, apesar de conseguirmos ver os quadros, as fotografias, o padrão do sofá ou os vinhos na garrafeira, nunca vemos as pessoas que habitam os espaços. Eu, voyeur assumido, confesso-me defensor desta nova blogosfera, com a sua dimensão novelesca que nos permite viver outras vidas quando estamos demasiado cansados para viver aquela que, mal ou bem, nos pertence. E, Ana, guarda essa lágrima para ti – ele não te merece.