sexta-feira, 30 de dezembro de 2005

Às vezes tenho que me esforçar como os cornos para não dizer mal do nosso país.



Ando à procura do fabuloso Werther de Goethe para oferecer (eu tenho uma edição de 1968, felizmente).

Corri as melhores livrarias de Lisboa e o máximo que consegui foi um “por encomenda, meu amigo, e vai ter que esperar que agora mete-se o fecho do ano e os balanços, com sorte lá para a terceira semana de Janeiro ligo-lhe a dizer qualquer coisa”.

Na Bertrand disseram-me “não temos em nenhuma das nossas lojas e também já saiu de catálogo. Veja nos alfarrabistas que é capaz de encontrar. Também, o que lhe deu para querer um livro desses?”

“Foda-se” disse eu.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

- À vinda, não apanhaste trânsito na A1?



- Não querido. Olha só quem eu trouxe lá da terra.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

Momentos natalícios memoráveis.

"É que os pombos são tarados, viciados em sexo, passam o dia naquilo".

D. Edite, avó, à mesa no dia de Natal.

"O Natal não faz sentido nenhum - tanta coisa só porque nasceu uma criança? Fogo, todos os dias nascem milhões, qual é a novidade?"

Bernardo, irmão adolescente, no carro a caminho do jantar da consoada.

Avô: "Eh, filho, mais uma garrafa de whisky, já é a segunda hoje!"
Neto: "Então, avô, assim já tens para o ano inteiro."
Avó: "Isso? Dá-lhe para uma semana, com sorte."

Avô, avó e eu, almoço de Natal.

O meu Natal.

O Natal não é só a festa da fraternidade e da celebração da humanidade. O Natal não é só a festa dos comerciantes, que a é também, que em mês e meio fazem a facturação do ano. O Natal não é só deixar passar no engarrafamento da Av. de Ceuta o automobilista da fila do lado. O Natal é, sobretudo, a festa dos ausentes, dos que partiram precocemente, dos que são recordados o ano inteiro mas que nos apertam um bocadinho mais o peito nestes dias que passam. Gosto muito de ti, avô.

sábado, 24 de dezembro de 2005

Ao contrário de muitos,

eu gosto do Natal. Traz-me boas recordações, cheiros, presentes e calorias.

A lembrança mais sedutora que lembro de receber foi uma bateria Tudor, embrulhada como um tesouro, para o meu primeiro carro velho. Foi ao meu pai que agradeci com longas horas de cassetes de engate, aqui há coisa de 12 anos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

Por falar em Príncipe Encantado,

lembrei-me desta passagem deste livro:

O Príncipe procura menos a princesa encantada do que a pastora que tudo consente. Como dizia Louise Michel, «o feminismo é não contar com o Príncipe Encantado».

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Já passou.







Obrigado por tudo. Mesmo.

Vi com estes dois, nesta terra, depois de comer.

Um restaurante que à laia de – não sei onde arrumar isto, se calhar ali não fica mal - agrupou uma pilha gigantesca de listas telefónicas na montra.

domingo, 18 de dezembro de 2005

A minha é maior do que a tua.

Diz-me o tamanho da tua árvore de Natal, dir-te-ei quem és.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Efeito globalização.

É tentar lembrar-me do nome do realizador espanhol do filme 'Mar adentro' e só lembrar-me do espanhol Rafael Benitéz, treinador do Liverpool.

Em conversa com uma amiga:

- Os homens até podem ser todos iguais mas o príncipe encantado é que é um filho da puta.

- Porquê?

- Já reparaste que em todas as histórias o gajo é cavaleiro, louro, alto, novo e beija logo as miúdas?

- Já.

- Estou desconfiada que é sempre o mesmo gajo. O príncipe é só um. Já viste, não passa de um traidorzeco.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Vários, mas principalmente odeio o Natal.

Já vos tinha dito que andava sem net, e que à pedincha, ando aqui e ali a sacar 10 minutitos para ver mails e ler os outros dois pasteis?

Ando sem paciência nenhuma para a blogosfera, sendo que o maradonna não faz parte deste bolo.

Estou a planear um estudo para provar que as luzes de natal não servem pra nada. E que as traças e o natal estão interligados: sempre que se tiram os enfeites, árvore e afins lá estão elas. (Valeu o espírito natalício da Bárbara, de 3 anos, que assim que as viu e as esmagou, desviou completamente a sua atenção para a vida animal, ficando os enfeites abandonados ou a servirem de armas de arremesso).

Tenho amigos a competir estadias em hospitais: depois da electrocussão do Nata, ando dia sim dia não a visitar outro amigo que fracturou a tíbia e o perónio num half pipe.

E finalmente ando à procura da razão porque ainda não se inventaram enbalagens funcionais para os rolos de papel de alumínio e celofane, se é assim que se escreve.

Mas meus amigos, o ano novo traz-me, em antecipação, uma vida nova.

Wait for me.

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

Dou 25 (vinte e cinco) Euros a quem me arranjar um endereço de mail da Lucy Liu (passa a 5 se for da porcaria do agente).

E 17,5 Euros por um do Garcia Pereira.

Estou aqui.



Bando de infames. Quando sou eu a sustentar este blog às semanas inteiras ninguém diz nada. Assim que vem o Nata perguntam logo pelos outros.

Quanto a ti, minha querida, meu Deus, sofro.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

É por estas e por outras que sou do Mourinho.

Dita a tradição familiar que nutra uma simpatia especial pelo Belém (Clube de Futebol Os Belenenses, para os não adeptos), e uma outra, menor, pelo Benfica (sim, um mal nunca vem só). Estamos no intervalo do Vitória de Setúbal-Belenenses e o leque de barbaridades proferidas pelos comentadores da Sport TV varia entre o "está fria a noite e está frio o jogo", até ao "os adeptos vaiam o jogo, talvez numa tentativa de se manterem acordados" ou mesmo passando pelo "chapéus há muitos, futebol é que aqui, hoje, não". O que é realmente grave é que têm razão. A que horas dá o campeonato mundial de curling?

Quem tem amigos, tem tudo.

"Tiveste uns dias electrizantes, ahn..!"

"Estás um bocado eléctrico hoje."

"Importas-te de por a língua de fora? Preciso de carregar o telemóvel."

"Bem, estás cheio de energia."

Ah, ah, ah, que graçola, pois.

domingo, 11 de dezembro de 2005

Boa tarde, era um choque e a conta por favor.



A luz, ofuscante, o flashback que resume uma vida em décimos de segundo, a experiência de estar fora do meu corpo a olhar para baixo - meus amigos, eu estive do lado de lá e voltei. As circunstâncias pouco ou nada importam, mas podem ser resumidas em poucas linhas. Ou, como me têm dito, esta história é boa demais para não ser contada.

Cenário: loja de instrumentos musicais. Decido experimentar uma guitarra eléctrica, uma Gibson Les Paul Goldtop Custom, santo graal de metade dos candidatos a "guitar gods" do mundo (a outra metade venera a eterna rival Fender Stratocaster). Tudo bem, o som cristalino perfeito, a ilusão de que toco alguma coisa também confere, enfim, um final de manhã quase perfeito. Quando me decido levantar, guitarra na mão, milhares de amperes percorrem-me o corpo durante vários segundos, no que virá doravante a ser conhecido como "a electrocussão". Por sorte, um amigo presente na loja decide contrariar qualquer convenção na forma como lidar com uma sobrecarga de energia e toca-me, transferindo o choque para ele, fazendo estourar o quadro da dita cuja.

O resto são minudências: queimaduras de segundo grau nas mãos, dores musculares insuportáveis nos braços, peito e costas, dificuldade em respirar, várias horas em Santa Maria, várias idas à farmácia. Agora, depois de ter passado uns dias a olhar de esguelha para a minha velhinha Squire, volto a enfrentar as cordas, o corpo, o braço, os pickups e o trémulo. Fui ao outro lado dar uma volta e regressei. Ou, como me disse um dos médicos, "você mais cinco segundos e não se levantava mais". Ah, a classe médica, sempre com uma palavra amiga à nossa disposição.

Entretanto, e num gesto de simpatia desmesurada, o dono do estabelecimento prontificou-se a oferecer-me uma guitarra semelhante à que esteve na origem d' "a electrocussão". Satisfeito e surpreendido com o resultado da empreitada, estou a pensar ir semana que vem à Worten meter os dedos numa tomada a ver se saco um plasma de 82 cm que ficava mesmo a matar por cima da lareira cá de casa.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Natal sentimental.

As montras, as luzes, a forma como educada e espontaneamente deixamos o próximo passar à frente no trânsito do Marquês, a família mais perto, não há desculpas para tamanha pieguice - gosto mesmo do Natal e não tenho vergonha. Ok, só um bocadinho quando olho para os pais natais asiáticos pendurados nas varandas. É impressionante a facilidade com que se compra uma pressão de ar nos dias de hoje.

Holocausto? Qual holocausto?

O presidente do Irão, senhor Mahmoud Ahmadinejad, disse que tinha sérias dúvidas sobre a real existência do Holocausto Nazi. Para além disto ainda disse que a Áustria e a Alemanha poderiam ceder uma ou duas provincias aos Judeus por forma a que estes levassem Israel para o centro da Europa. Segundo o senhor, ficaria assim resolvido o problema de Israel na origem. No fundo, e segundo palavras dele, Israel deveria ser riscada do mapa.

Desligo o rádio do carro, e lembro-me de todos os fundamentalistas de esquerda que não suportam Israel. Um sentimento de pena e um sapo gigante saltam-me no pensamento. Ambos pairam sobre as suas cabeças e as invenções mal amanhadas para desculparem a simplicidade de espírito de pessoas como esta.

É nestas alturas que dou graças a qualquer coisa por só ser filiado no Juventude da Castanheira.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Cuidado com as velhas!

-Diz obrigado à senhora. -Obrigado, Dona Internet.


Freddie Mercury


David Bowie

Desligo o carro, e reparo que no rádio está a arrancar Under Pressure. Fico a ouvir até ao fim e confirmo mais uma vez que a melhor música dos Queen é do David Bowie. É sem dúvida uma faixa grande demais para sair a meio.

Lembro-me dos MP3, da Internet, dos downloads e do tempo em que ainda não tínhamos a lixeira que nos dá triliões de inutilidades. Depois tento lembrar-me de um grupo que tenha surgido nos últimos cinco anos e que possa vir a ser os próximos Pink Floyd, U2, Madonna ou o próprio David Bowie e, assim de repente, não me ocorre nenhum.

Net kill the video star.

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

A todas as designers, directoras de arte e afins: esta referência é para vocês.



Sabem quem é esta senhora que aqui vêm em primeiro plano com um belíssimo sapatinho de salto alto? É a Ana Cunha.

Afinal há esperança! Nem todas as meninas boas de design parecem o Comité Central do PCP.

sábado, 3 de dezembro de 2005

Do meu quarto, vejo o mundo.



E um bocadinho da cozinha.

Sem título.

Natureza morta.*



* É de plástico, portanto.