segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Pastel de Nata na cidade.

De férias, entre empregos, dedico-me a conhecer a minha mais ou menos recente área de residência, do ponto de vista pedonal, com o pretexto de comprar umas ferragens e um xarope para a tosse. Na farmácia, a dita farmacêutica desaconselha-me a solução líquida, apontando-me para umas "pastilhas novas".

Eu: "Então e acha que as pastilhas me resolvem o problema?"
Ela: "Sim, resolver resolvem, são é um bocadito manhosas."

(Atenção: isto é uma pessoa com um curso superior e que lida diariamente com a saúde de centenas de pessoas. "Manhoso" deve ser um termo técnico, pensei eu.)

Eu: "Manhoso, como?"
Ela: "De sabor, fica assim um sabor (deita a língua de fora enquanto expressa o seu desagrado ao palato com um esgar assustador)... manhoso na boca depois."
Eu: "Vou levar."

Próxima paragem: loja de ferragens na Miguel Bombarda. Já aviado, vou pagar à caixa, na qual me atende, presumo, o dono do estabelecimento. Pago com uma nota.

Ele: "Então e moedas, não tem?"
Eu: "Não, infelizmente não."
Ele: "Então porquê?"
Eu: "Como?"
Ele: "Onde é que as gastou?"
Eu: "Na farmácia, agora mesmo."
Ele: "Eram muitas?"

(Nesta altura dei por mim a pensar que estava perante um estudioso sobre as formas de transporte de moeda, esse assunto tão fascinante. Depois pensei que preferia a "manhosa" da farmácia a este maluco.)

Eu: "Quarenta cêntimos, se não me engano."
Ele: "Não tem um porta moedas, daqueles com mola?"

(Aqui já estava a ficar assustado à séria. Aproximei a mão do telefone no bolso e comecei a pensar se conseguiria marcar, de cor, o 112 em caso de extrema necessidade. Acho que não.)

Eu: "Não, nunca senti falta. A minha carteira tem uma bolsa para as moedas."
Ele: "Esse é o problema das pessoas hoje em dia. Ninguém usa porta-moedas. Arranje lá um, homem."
Eu: "Ok, vou pensar nisso."
Ele: "É a minha mensagem de ano novo para o resto do mundo."

(Juro que ele disse mesmo isto.)

Eu: "Tá bem, tá bem, obrigado."

Da próxima vez, vou de carro.