quarta-feira, 20 de setembro de 2006

And now for something completely different.

“Restaurantes vão poder decidir se aceitam fumadores.

A nova legislação sobre o consumo de tabaco vai permitir que, durante "algum tempo", os restaurantes possam decidir se os clientes podem fumar nas suas instalações, adiantou hoje o ministro da Saúde.”, no Público Online.

Isto é um debate demasiado sério para ser abordado nesta nessa pastelaria ligeira, onde exceptuando alguns insultos aleatórios a minorias sexuais e assosiações de amigos dos animais, temos evitado opinar sobre temas mais delicados e, diria mesmo, enfadonhos. Até porque um touro de morte tem muito mais graça do que um fumador passivo. Arriscando arruinar a nossa (muito ténue) linha editorial, e no estatuto de não fumador activo, opino.

Que responsável de restaurante no seu perfeito juizo é que vai apoiar a proibição de fumar no seu estabelecimento quando é uma verdade por demais evidente que os fumadore são uma classe muito mais activa do que os não fumadores, com direitos auto-atribuídos que, aos olhos da sociedade, lhes permitem os abusos que todos nós, os não fumadores, tão bem conhecemos.

Fumar é um gesto de intrusão, ponto final. Não fumar é uma não ocorrência, fumar é uma acção, logo, qualquer acção “pública” pode (e deve) ser questionada, sobretudo quando intefere no conforto e no direito de ser (ou não) incomodado por um agente externo.

Exemplificando: se eu não gosto de música alta, não vou a discotecas, se não gosto do odor corporal excessivo, esvito os transportes públicos no verão. Agora, se eu não gosto de fumar (nem que fumem para cima de mim, uma inevitabilidade dos espaços fechados), não vou a restaurantes nem bares? Há aqui uma ausência de relação de causalidade que, parece-me, anula o direito dos fumadores de exigir o que quer que seja. E, tendo consciência da intransigência que caracteriza a maioria dos adeptos do tabaco, é mais do que óbvio que os responsáveis dos bares e restaurantes que se deparam agora com um esta decisão, irão sempre ceder, pela inevitável cobardia ditatorial do dólar, à lei do mais forte.

Moral da história: quem não gosta de fumar deve evitar os trasnsportes públicos nos dias de maior calor.