sábado, 24 de fevereiro de 2007

A criança não foge, ok?

Certinho como o destino, os impostos e o cabelo impecável do Nuno Rogeiro - mais cedo ou mais tarde, calha-nos sempre ter que "ir ver a criança". Ora, "ir ver a criança" é uma instituição nacional, mais um símbolo de portugalidade para acrescentar aos seculares e indiscutíveis Galos de Barcelos, Rendas de Bilros ou, novamente, o Cabelo Impecável do Nuno Rogeiro.

Nunca estamos verdadeiramente preparados para este acontecimento e, talvez por isso, ainda não aprendemos verdadeiramente a lidar com ele. Ou seja: é praticamente impossível esquivarmo-nos a "ir ver a criança" e está inequivocamente fora de questão fazer desta visita um momento prazenteiro. Não que a "criança" não mereça os mais rasgados elogios, muito em redor do seu controlo do esfíncter, da capacidade de dormir mais do que duas horas seguidas ou, claro, se é parecido com um dos progenitores (sendo que, na maioria das vezes, é mais parecido com o Nuno Rogeiro, mas eu creio que o homem não consegue humanamente ser responsável por todas as procriações de Portugal), mas o próprio acontecimento em si é, digamos, pífio.

Imaginemos o seguinte cenário: um grupo de 30 amigos combina um jantar num local adequado (agora que a Feira Popular fechou, tornou-se uma tarefa hercúlea - restam-nos só restaurantes bons e isso nunca é aceitável para os orfãos de Entrecampos) com um claro propósito: um deles tem uma pústula na virilha que pretende partilhar com os entes mais queridos. É matéria digna de um jantar na Feira Popular? É. É pífio? Também. É melhor ou pior do que "ir ver a criança"? Isso fica ao critério de cada um, mas a verdade é que, de quando em quando, apertam as saudades de uma asa do "Rei dos Frangos" ou de um sucedâneo de febra (já de si um sucedâneo de qualquer coisa inominável) dos "3 amigos".

Eu diria que, entre "ir ver a criança" e fazer uma endoscopia, optaria claramente pela segunda, se não estivesse com muita expectoração, mas a verdade é que já fiz uma e, raios, venham os filhos bastardos do Nuno Rogeiro.