quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Carta aberta à Ludmila*.

Querida Ludmila*:

Espero que não consideres abusivo o epíteto carinhoso, mas a verdade é que considero que somos muito próximos de almas gémeas. Não foram poucas as vezes em que, por escassos segundos, nos perdemos no limbo do buliço da grande cidade. De tantas características admiráveis que reúnes, escolheria a tua caligrafia - reconheceria essa assinatura, redonda e suave, numa dedicatória de um livro, numa nota de crédito ou até num cheque careca. A tua frondosa e longa melena dourada é objecto dos meus sonhos, mesmo quando estou acordado. E sim, o boné cinza com que a cobres torna tudo ainda mais misterioso, como o amor deve ser. Tudo isto para dizer, adorada Ludmila, que sinto mesmo que somos parte um do outro (mais tu parte de mim, mas o que conta é a intenção). Mas, mesmo assim, confesso que, com tantos carros sem dístico de residente na rua, teres escolhido multar só o meu é capaz de ser ligeiramente excessivo. Não leves a peito, minha amada, sei que é só uma prova do teu amor infinto, mas, para a próxima, caga nisso.

* Extremosa e dedicada funcionária da PARK, ao serviço da EMEL.