quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Estou quase a fazer 30 anos, tenham santa paciência.

Passaram 13-anos-13 desde que um filme que não pertence a nenhum realizador europeu nem aos mais "sundanceanos" realizadores americanos, mudou a minha vida. Por mais PT Andersons, Blade Runners, American Beauties ou Citizen Kanes que passem por estes olhos cinéfilos, esta película merecerá sempre o estatuto perfeito para qualquer adolescente conturbado (não fomos/somos todos?) - o filme certo, na altura certa.

Repleto de raiva, vingança e, sobretudo, solos de guitarra sofridos interpretados no topo de arranha-céus, "O Corvo" é a "teenage angst" personificada dos 90's. Sim, agora temos Gus Van Sant, Larry Clark (e o brilhante "Kids" ainda é do meu tempo) ou Michael Cuesta a responder às ânsias e revoltas dos "kids" de hoje. Temos os Fall Out Boy a gritar sobre as cheerleaders contidas, as insistentes virilhas da Britney Spears e os charros dos Morangos com açúcar (até ao dia em que descubram o adoçante, os marotos).

Eu tive isto. Vi-o cinco-vezes-cinco no cinema e outras tantas via videoclube, quando ainda os havia. Não é um Bergman, não é um Lynch, não é um Kieslowski, nem sequer um Cameron Crowe chega a ser. Mas, damn, aquele solo no arranha-céus foi, é, e vai sempre, sempre, sempre ser o meu Rosebud.

crow